internet morta

Em 1984, quando William Gibson publicou “Neuromancer”, a internet da forma como a consumimos hoje ainda não existia. Por isso, foi surpreendente que o autor tenha conseguido criar uma peça de ficção que, aos poucos, se parece cada vez mais com a realidade. A história é descrita por meio  de um mundo conectado a uma rede mundial de informações que é habitada tanto por humanos quanto por inteligências artificiais que navegam, tomam decisões e agem de forma autônoma.

Apesar de parecer apenas uma bela peça de ficção científica quando lançada, o mundo caminhou em uma direção parecida com a descrita pelo autor e agora temos sinais de que algumas das ideias imaginadas por Gibson estão se tornando menos ficção e mais realidade.

Durante as últimas semanas, um anúncio surpreendeu o mundo. Pela primeira vez, em 2026, o tráfego proveniente de bots e agentes de IA já é maior que o tráfego humano na internet. Hoje, esse tráfego de bots já representa cerca de 57% da web.

De certa forma, isso já era previsível. Arrisco dizer que desde que colocaram o último parafuso na primeira máquina que começou a otimizar o trabalho humano, abriu-se um caminho irreversível para a automatização de tudo. Ou seja, a história da tecnologia é, em grande medida, a história de ferramentas assumindo tarefas que antes dependiam exclusivamente de esforço humano.

Acho que o que mais pega aqui é o timing. Talvez grande parte das pessoas, e alguma parte dos especialistas, não acreditava que esse fato ocorreria tão cedo.

Veja, conceitos como a Teoria da Internet Morta eram encarados basicamente como conspiratórios em 2021, mas hoje parecem bastante plausíveis. Segundo essa hipótese, a maior parte do conteúdo, interações e até discussões nas redes sociais não seria mais gerada por humanos. A internet teria se tornado um “teatro digital”, onde usuários desavisados interagem com robôs a serviço de grandes corporações.

Durante os próximos meses, enfrentaremos um debate filosófico. Durante três décadas, praticamente todas as regras da internet partiram do mesmo pressuposto: do outro lado da tela existia uma pessoa. Então como ficará esse ambiente agora que uma parcela crescente do seu consumo é realizada por bots e agentes de IA?

Afinal, um único agente de IA pode executar em minutos um volume de navegação que levaria dias para um ser humano. Assim, como ficarão as estruturas de monetização baseadas em publicidade e como as plataformas irão se adaptar para capturar não a atenção humana, mas a atenção artificial?

Diversos momentos históricos da internet mudaram tudo algumas vezes (como por exemplo a banda larga, o streaming, o mobile e as redes sociais). Mas a web agêntica (aquela dominada por IAs) irá desafiar os paradigmas existentes ainda mais e irá bagunçar os modelos de negócios pré-estabelecidos hoje.

Você e sua empresa estão preparados para essa mudança?

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